Os aguardados concertos da banda sul-coreana BTS, agendados para os dias 14, 16 e 17 de outubro no Estádio Nacional de Santiago, Chile, estão sob ameaça de suspensão ou realocação. A decisão partiu do Instituto Nacional do Esporte (IND), que negou a autorização para o uso do Coliseu Central do complexo, desencadeando uma ampla controvérsia no país.
A agência chilena, após uma avaliação técnica detalhada, concluiu que a montagem de um palco central no formato 360°, conforme proposto pela produção, poderia comprometer seriamente o gramado recém-restaurado do estádio. Além disso, o IND argumentou que a realização dos shows nessas condições poderia interferir em outros compromissos esportivos e institucionais já programados para o local. Conforme apurado pela CNN Chile, o Instituto ressaltou que sua decisão não representa uma rejeição geral a grandes eventos, mas sim uma objeção às condições específicas de uso do Coliseu Central, sugerindo como alternativas a Esplanada Sul ou o Parque Sul do Estádio Nacional.
A recusa em ceder a principal arena do país rapidamente escalou para uma crise que transcende a esfera do entretenimento, envolvendo fãs, a produtora DG Medios, autoridades governamentais e membros do parlamento. Daira Zurita, representante da fanbase BTS Chile, expressou a preocupação dos consumidores, questionando não apenas a realização dos shows, mas as condições em que estes ocorreriam. A Ministra do Esporte do Chile, Natalia Duco, direcionou críticas à DG Medios, afirmando que a empresa estava ciente da ausência de confirmação para a autorização. Em contrapartida, o deputado Alejandro Bernales questionou a atuação preventiva do Ministério do Esporte, apontando uma contradição na declaração oficial da ministra, que afirmou não ser possível cancelar algo que não havia sido confirmado.
A magnitude do impacto é evidenciada pela popularidade global do grupo. No Brasil, os shows do BTS no estádio do MorumBIS, em São Paulo, marcados para 28, 30 e 31 de outubro, tiveram ingressos esgotados em tempo recorde. A Ticketmaster informou que mais de 1,9 milhão de pessoas tentaram adquirir bilhetes para as três apresentações no país, com uma demanda estimada em mais de 3,7 milhões de ingressos, o equivalente a lotar completamente 48 estádios do MorumBIS.
Diante do impasse no Chile, a situação permanece incerta para os fãs e para a produtora, que agora precisam navegar entre as exigências das autoridades e a expectativa de milhões de admiradores. A crise destaca a complexidade de conciliar grandes eventos internacionais com a preservação de infraestruturas esportivas, além de expor tensões entre diferentes esferas do poder e os direitos dos consumidores.



