O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu um alerta significativo sobre a crescente adoção da tokenização nos mercados financeiros globais. Em um relatório recente, a instituição aponta que a emissão e transferência de ativos em infraestruturas baseadas em blockchain estão ganhando tração, com implicações substanciais para a estrutura de mercado, a gestão de riscos e a estabilidade financeira.
A principal transformação, segundo a análise do Fundo Monetário Internacional, reside na forma como as operações financeiras são processadas. Etapas que tradicionalmente ocorrem de maneira sequencial, como execução, compensação e liquidação, tendem a ser realizadas de forma simultânea dentro da mesma infraestrutura digital, guiadas por algoritmos e softwares, em vez de rotinas institucionais. Essa mudança representa uma migração potencial de parte do risco, deslocando-o dos balanços de bancos e fundos de investimento para empresas que operam os serviços e infraestruturas de mercado. Apesar da automação, o FMI enfatiza que funções críticas, como a calibração de modelos de risco e planos de continuidade de negócios, ainda dependerão da expertise humana e de instituições responsáveis capazes de intervir diante de falhas ou mudanças de cenário.
Para economias emergentes e em desenvolvimento, como o Brasil e, por extensão, o estado de Rondônia, a tokenização pode oferecer vantagens consideráveis. O relatório sugere que pagamentos transfronteiriços mais ágeis e econômicos, um acesso ampliado a mercados financeiros e uma liquidação mais eficiente poderiam mitigar ineficiências históricas. Contudo, conforme o CNN Brasil, o FMI adverte que os riscos associados são igualmente relevantes. O estudo reforça que a tecnologia não eliminará os bancos, mas sim redefinirá seu papel na captação de recursos, na gestão de liquidez e na assunção de riscos.
O futuro e a escala das finanças tokenizadas, de acordo com a avaliação do Fundo, serão moldados por decisões de política pública. Questões cruciais incluem a definição do papel do dinheiro público e privado, o nível de interoperabilidade entre diferentes plataformas, a criação de marcos legais robustos, a governança do código subjacente e o desenvolvimento de mecanismos de suporte à liquidez. Para que a tokenização atinja seu potencial máximo, as infraestruturas precisam garantir confiabilidade operacional e custos de transação previsíveis, fatores essenciais para a confiança e a adesão em massa.



