Com as eleições parlamentares israelenses agendadas para o fim de outubro, um novo nome desponta como o principal desafiante ao longevo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu: Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças de Defesa de Israel. Sua ascensão, que o posiciona como o exato oposto do atual líder, tem redefinido a dinâmica política do país, conforme análise da CNN Brasil.
Pesquisas recentes indicam um crescimento significativo para o Yashar, partido fundado por Eisenkot há menos de um ano. Projeções do Canal 12 apontam que a legenda poderia conquistar 21 assentos no Knesset, o parlamento israelense, ficando ligeiramente atrás do Likud, com 23. Além disso, quando questionados sobre a aptidão para o cargo de primeiro-ministro, Eisenkot é preferido por 38% dos entrevistados contra 36% de Netanyahu. Essa ascensão levou o Likud a intensificar ataques, como o vídeo gerado por inteligência artificial que tenta associar Eisenkot ao parlamentar árabe Ahmad Tibi, numa clara retomada de uma retórica antiárabe.
A estratégia de Netanyahu, no entanto, pode estar inadvertidamente impulsionando Eisenkot. Aos 76 anos, Netanyahu é conhecido por seu domínio da encenação política e comunicação dramática. Eisenkot, de 66 anos, apresenta um perfil marcadamente diferente: discreto, com fala serena e foco em processos estratégicos. Essa divergência se reflete nas campanhas do Likud, que ironizam o sotaque de Eisenkot ou questionam sua postura em relação ao Irã, na tentativa de sublinhar a diferença com o perfil internacional e assertivo de Netanyahu.
As trajetórias pessoais de ambos reforçam essa dicotomia. Netanyahu, filho de historiador, cresceu na elite de Jerusalém e serviu em uma unidade de comandos de prestígio. Eisenkot, por sua vez, é o segundo de nove filhos de imigrantes marroquinos, criado em cidades como Tiberíades e Eilat, longe dos centros de poder. Sua carreira militar o levou ao comando das Forças de Defesa de Israel (IDF) entre 2015 e 2019, nomeado pelo próprio Netanyahu, que à época elogiou sua liderança. Um momento crucial em sua gestão foi o apoio à justiça militar no caso do soldado Elor Azaria em 2016, uma decisão que o colocou contra a pressão da direita e do próprio Netanyahu, demonstrando sua independência ética.
Essa combinação de um perfil militar respeitado, uma postura ética firme e um estilo antagônico ao de Netanyahu posiciona Gadi Eisenkot como uma alternativa crível para uma parcela do eleitorado israelense. Sua independência, demonstrada ao recusar alianças com outros ex-primeiros-ministros como Naftali Bennett e Yair Lapid, sinaliza um novo capítulo na política de Israel, onde a quietude estratégica pode ser a nova arma contra o espetáculo político.



