Um aprofundado levantamento de dados aponta que o ataque sofrido pelo tenente da Rota, Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, foi precedido por uma vigilância intensa e prolongada de sua rotina. Um veículo utilizado pelos criminosos foi flagrado 96 vezes em áreas que o policial frequentava em São Caetano do Sul antes do atentado ocorrido no último sábado, 27 de junho.
Conforme relatório da Prefeitura de São Caetano do Sul, obtido pela CNN Brasil, o automóvel, um Renault Logan branco, teve seu primeiro registro de passagem pelo município em 14 de fevereiro. A análise do padrão de deslocamento, identificada pelo RAISS (Relatório de Análise Inteligente do Smart Sanca), revelou trajetos recorrentes compatíveis com um monitoramento prévio. As câmeras de segurança registraram o carro circulando repetidamente pela região central, notadamente na Rua Niterói, onde fica a academia do tenente, e na Rua Felipe Camarão, próxima à sua residência. A maior frequência de aparições do veículo era às terças-feiras e aos sábados, utilizando as avenidas Goiás e Almirante Delamare como principais acessos, sendo o último registro antes do crime em 22 de maio.
As investigações avançam com a localização do Renault Logan na noite de terça-feira, 30 de junho, em um terreno no bairro de Guaianases, zona leste de São Paulo, onde estava coberto por uma lona. Dois homens, de 40 e 52 anos, foram presos temporariamente no domingo, 28 de junho, sob suspeita de fornecer apoio logístico e transporte para a execução do crime. A Polícia Civil já identificou o autor dos disparos, mas mantém sua identidade em sigilo para não prejudicar as buscas. O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, informou que o suspeito possui antecedentes criminais, e a possível participação de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no planejamento do ataque também está sendo apurada.
Apesar do estado gravíssimo, o tenente Ronickson Pimentel, que foi baleado na cabeça enquanto aguardava em um semáforo na Avenida Goiás, tem apresentado melhora clínica. Boletim divulgado pela Polícia Militar nesta quinta-feira, 2 de julho, informou a suspensão das medicações vasoativas, indicando estabilidade hemodinâmica sem suporte. O policial, internado na UTI do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, também mantém a pressão intracraniana controlada, função renal preservada e ausência de febre.
O caso ganha um contorno familiar marcante, pois Ronickson Pimentel é irmão de Eloá Pimentel, a adolescente de 15 anos brutalmente assassinada em 2008 após ser mantida em cárcere privado por seu ex-namorado, Lindemberg Alves. A complexidade do planejamento e a identidade dos envolvidos seguem como pontos cruciais na continuidade das investigações.



