Um estudo científico recém-divulgado projeta que o Brasil possui potencial significativo para se consolidar como um ator de destaque no mercado global de terras raras até o ano de 2040. Os achados foram apresentados na última quarta-feira, dia 1º de julho de 2026, durante o VII Seminário Brasileiro de Terras Raras (SBTR), realizado no Rio de Janeiro, conforme noticiado pela CNN Brasil.
A pesquisa, intitulada "Terras Raras no Brasil: Estado da Arte, Cenários e um Mapa do Caminho Estratégico para 2026 até 2040", foi encomendada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e elaborada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). O principal desafio identificado para o país é a construção de robustas capacidades industriais, especialmente nas etapas de refino e metalurgia, onde reside o maior valor econômico desses elementos. O documento não apenas mapeia as vastas reservas minerais e descreve os mercados, mas também traça um percurso estratégico para orientar políticas públicas, investimentos e desenvolvimento tecnológico ao longo dos próximos 15 anos.
Um ponto crucial destacado pelo levantamento é o ênfase estratégico na região amazônica. A geologia de argilas de adsorção iônica presente na Amazônia é reconhecida como uma reserva de longo prazo, capaz de sustentar a posição brasileira nas cadeias globais de terras raras. Para Rondônia, inserida no bioma amazônico, essa informação reforça a importância da região no cenário nacional e internacional de mineração estratégica. Os 17 elementos químicos que compõem as terras raras brasileiras são insumos vitais para tecnologias que impulsionam a transição energética e a transformação digital, sendo encontrados em produtos como veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, sistemas de defesa e eletrônicos avançados.
A ministra do MCTI, Luciana Santos, ao abrir o evento, ressaltou a riqueza do Brasil: “O Brasil reúne algumas das maiores reservas minerais do planeta, tem uma base científica consolidada, instituições de excelência e recursos humanos altamente qualificados.” A questão central que o estudo propõe para a próxima década é se o país se limitará a ser um fornecedor de matérias-primas ou se também participará ativamente da nova economia global, agregando valor aos seus recursos.
O documento se apresenta como um guia para transformar os recursos naturais nacionais em capacidades industriais, tecnológicas e geopolíticas. A visão é de que, com investimento estratégico e coordenação institucional, o Brasil pode ir além da extração, consolidando-se como um polo de inovação e produção de alto valor agregado no promissor mercado de terras raras até 2040.



