RO
emPautaPortal de Notícias
26°C☀️
DESTAQUES:
Brasil

Especialista: Cenário político faz com que eleitores tolerem corrupção

Especialista aponta que polarização e descrença em instituições levam eleitores brasileiros a tolerar casos de corrupção de seus candidatos.

RO
Redação RO em PautaCom base em informações de CNN Brasil
Especialista: Cenário político faz com que eleitores tolerem corrupção
Foto: Reprodução

A polarização extrema no cenário político brasileiro, somada a uma crescente desconfiança nas instituições de investigação, tem levado os eleitores a uma maior tolerância com denúncias de corrupção envolvendo figuras de sua preferência. A análise é de Leonardo Barreto, cientista político e sócio da consultoria Think Policy, apresentada ao programa Hora H, onde ele comentou os resultados de uma pesquisa Atlas/Bloomberg que abordou os casos de Flávio Bolsonaro, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Jaques Wagner.

Barreto observa que o panorama atual se distingue drasticamente de épocas passadas, quando escândalos similares possuíam um potencial muito maior para abalar campanhas eleitorais. Segundo o especialista, a justificativa para essa aceitação reside na percepção de que a corrupção do próprio lado é um "mal menor", uma vez que o campo político oposto poderia se beneficiar da situação para alcançar o poder. Esta dinâmica é reforçada pelas altas taxas de rejeição, superiores a 50%, atribuídas aos dois principais líderes na disputa presidencial, criando um ambiente onde a lealdade partidária prevalece sobre a ética.

Além da polarização, o cientista político aponta a descrença nos órgãos de investigação como um fator crucial para a normalização dos escândalos. Barreto cita que as próprias instituições de apuração frequentemente se veem envolvidas em controvérsias, com presidentes da Câmara e do Senado barrando Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com contratos ligados a investigados e até mesmo um ministro proibindo contato com o diretor da Polícia Federal. Esse cenário, conforme o CNN Brasil, gera um sentimento de desalento e a impressão de que não há vias eficazes para a justiça.

A Estratégia em Torno de Jaques Wagner

Ao examinar a situação de Jaques Wagner, Barreto indica que o principal risco para o senador reside no aprofundamento das investigações, que poderiam culminar em sua condição de réu. Contudo, o analista sugere que o presidente Lula busca minimizar essa possibilidade, ao menos no curto prazo. A aparição pública de Lula ao lado de Wagner pode ser uma estratégia para reforçar a narrativa de perseguição política, um discurso que o próprio presidente vem construindo desde sua saída da prisão para a disputa eleitoral. Para Barreto, essa postura envia uma mensagem clara de desafio aos órgãos investigativos.

Desafios no Campo Bolsonarista com Flávio Bolsonaro

No que tange à campanha de Flávio Bolsonaro, Barreto identifica sinais de uma "rebelião interna" no bolsonarismo. Ele considera equivocada a crença de que o antipetismo, por si só, seria suficiente para manter o eleitorado unido. A falta de habilidade política na gestão das diversas facções que compõem esse campo ficou evidente na fala de Michelle Bolsonaro, que levantou uma pauta feminista e expôs a insatisfação de grupos evangélicos que não foram consultados na formação da chapa. Barreto avalia que Flávio carece de uma política interna eficaz para compreender e costurar as alianças necessárias dentro do próprio movimento.

O especialista conclui que, embora Flávio Bolsonaro possua um piso eleitoral considerável, esse mesmo piso pode se transformar em um teto, limitando o potencial de sua candidatura. Nesse contexto, Barreto projeta que as condições estão sendo criadas para que uma terceira via ganhe força a partir do início oficial da campanha, em agosto. "Estamos criando condições para que as duas candidaturas principais falem mais dos seus limites do que das suas possibilidades, e isso abre uma janela para o brasileiro considerar outros nomes", finaliza.