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EUA chegam aos 250 anos com poder contestado, avalia Vitelio Brustolin

Especialista analisa que os EUA celebram 250 anos de independência com sua hegemonia global e instituições internas sob escrutínio.

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Redação RO em PautaCom base em informações de CNN Brasil
EUA chegam aos 250 anos com poder contestado, avalia Vitelio Brustolin
Foto: Reprodução

Os Estados Unidos da América celebram, em 4 de julho de 2026, 250 anos desde sua Declaração de Independência, mas a data encontra a nação em um momento de questionamento sobre sua incontestável liderança global. A avaliação é de Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), em análise veiculada pela CNN Brasil, que destaca como o país, embora permaneça uma potência, enfrenta desafios sem precedentes tanto em sua estrutura interna quanto em sua projeção externa.

Brustolin aponta para a notável resiliência das fundações democráticas americanas. A Constituição de 1787, por exemplo, continua em vigor, e seus pilares sobreviveram a múltiplos conflitos, crises econômicas e transformações sociais profundas. Contudo, o especialista ressalta que esse sistema foi severamente testado em anos recentes. Ele cita o episódio da invasão ao Capitólio, ocorrida ao final do primeiro mandato do ex-presidente Donald Trump, como um marco que desafiou a institucionalidade e a tradição democrática do país. Além disso, os ideais de igualdade, consagrados pelo filósofo John Locke e presentes na fundação do país, foram historicamente confrontados por questões como a escravidão, a discriminação racial e a crescente desigualdade social.

No cenário internacional, a supremacia norte-americana, que parecia absoluta entre os anos 1990 e o início dos 2000 após o colapso da União Soviética, já não se sustenta da mesma forma. O professor Vitelio Brustolin observa que há um consenso entre analistas de que o poder dos Estados Unidos, embora ainda proeminente, é hoje amplamente contestado. Essa mudança é impulsionada, principalmente, pela ascensão econômica e geopolítica da China, configurando um cenário que remete à "armadilha de Tucídides" – conceito que descreve a rivalidade e o potencial conflito entre uma potência estabelecida e uma emergente.

A complexidade do momento atual sugere que os próximos anos serão cruciais para a redefinição do papel dos Estados Unidos no concerto das nações. A capacidade de navegar pelas tensões internas e de adaptar sua estratégia externa diante de novos atores globais determinará a extensão de sua influência e o legado de seus próximos aniversários.