No dia 2 de julho de 2026, o governo dos Estados Unidos impôs restrições financeiras a dois cidadãos e três empresas brasileiras, sob a alegação de possuírem laços com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Contudo, a medida rapidamente gerou ressalvas na comunidade jurídica, com especialistas apontando a ausência de coordenação com as autoridades brasileiras como um fator limitante para a eficácia da ação.
Em entrevista à CNN Brasil, o jurista e professor Wálter Maierovitch avaliou que a iniciativa norte-americana, embora válida em seus objetivos de combater o crime organizado, teve sua eficácia reduzida pela falta de articulação internacional. Maierovitch ressaltou que o princípio fundamental no enfrentamento a redes criminosas transnacionais é a colaboração entre nações, um elemento que, segundo ele, foi negligenciado na abordagem dos EUA. As sanções miram uma operação que, conforme o Tesouro americano, teria movimentado cerca de 30 milhões de dólares.
O especialista destacou que os dois brasileiros alvos das sanções não possuíam condenação prévia em solo nacional. Para Maierovitch, uma cooperação mais estreita teria permitido uma investigação muito mais aprofundada, tanto sobre os indivíduos quanto sobre as três empresas envolvidas. Ele afirmou que, apesar de a medida ser um bom exemplo de como atacar a economia do crime organizado, ela se mostrou incompleta justamente pela ausência da sinergia internacional que poderia ter gerado resultados mais abrangentes.
Maierovitch também levantou questionamentos sobre a atuação brasileira, indagando por que o Brasil não havia identificado previamente os envolvidos. Ele citou o caso de Victor Shimada, um dos sancionados, que teria um histórico ligado ao futebol e já cumpriu prisão domiciliar, conforme o próprio relatório americano. O jurista concluiu que essa falta de integração é prejudicial à luta contra o crime organizado, alertando ainda que indivíduos com conexões aos sancionados também podem estar sujeitos a penalidades.



