A França, maior produtor de açúcar da União Europeia, enfrenta uma severa estiagem que ameaça sua safra de beterraba sacarina e impulsiona a escalada dos preços globais do produto. Sem perspectivas de chuva nas principais regiões agrícolas nas próximas duas semanas, a situação agrava as projeções de uma queda de 15% na produção açucareira do bloco europeu para a safra 2026/27.
Conforme reportagem do G1 Agro, o preço do açúcar branco registrou um salto de quase 10% na última semana, alcançando o maior patamar em nove meses e meio na quarta-feira. Esse aumento é reflexo não apenas da crise hídrica europeia, mas também da influência do fenômeno El Niño na Ásia, que afeta outras grandes regiões produtoras. A Europa, por sua vez, tem suportado uma onda de calor recorde, com temperaturas elevadas persistindo por mais de uma semana e previsão de intensificação na França e Alemanha, sem chuvas nas planícies de beterraba sacarina ao redor de Paris e no norte da França até pelo menos 14 de julho, segundo a Météo France.
A Comissão Europeia, em sua mais recente projeção divulgada em 26 de junho, estima que a produção de açúcar da União Europeia para a safra 2026/27 atingirá 14,13 milhões de toneladas métricas, representando uma diminuição de 15% em comparação com o ciclo anterior (2025/26). Essa retração é atribuída principalmente a uma redução de 9% na área cultivada e a uma queda de 6,5% na produtividade. A França lidera as projeções de declínio na produtividade, com Alemanha e Polônia também esperando reduções significativas.
Além da seca, agricultores franceses expressam preocupação com a disseminação da doença do amarelecimento, após fortes infestações de pulgões no início da safra. A enfermidade devastou plantações em 2020, quando a União Europeia baniu certos pesticidas neonicotinoides, citando riscos para as abelhas. Embora a França tenha concedido isenções temporárias em 2021 e 2022, estas foram posteriormente revogadas. O Parlamento francês debate esta semana uma nova emenda para permitir o uso, embora a decisão, esperada para este mês, chegue tarde demais para a safra atual, já que os pulgões geralmente infectam as plantas na primavera.
Diante da combinação de uma estiagem severa e a ameaça de doenças, o setor açucareiro europeu enfrenta um período desafiador. As condições climáticas adversas, somadas às incertezas regulatórias sobre o uso de defensivos, desenham um cenário de oferta mais restrita e preços elevados, com impactos que podem reverberar no mercado global de commodities.



