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Céu noturno pode ficar 4 vezes mais brilhante com satélites

Um novo estudo alerta que a proliferação de satélites pode quadruplicar o brilho do céu noturno, impactando drasticamente a astronomia global.

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Redação RO em PautaCom base em informações de CNN Brasil
Céu noturno pode ficar 4 vezes mais brilhante com satélites
Foto: Reprodução

Um estudo recente acende um alerta para a comunidade científica: a expansão das megaconstelações de satélites, essenciais para a comunicação moderna, pode comprometer seriamente a visibilidade do céu noturno. A pesquisa sugere que o brilho do firmamento poderia aumentar em até quatro vezes caso a quantidade de dispositivos em órbita atinja certos patamares, levantando preocupações sobre o futuro da observação astronômica.

Desde 2019, o número de artefatos orbitando a Terra já ultrapassou a marca de 14 mil, com a maioria pertencendo à rede Starlink, da SpaceX, focada em telecomunicações. As projeções para os próximos anos são ainda mais ambiciosas, com estimativas de que mais de 1,7 milhão de satélites possam vir a ser lançados por diversas empresas ao redor do globo. Para mitigar os impactos negativos na astronomia, o estudo propõe um limite de 100 mil satélites em órbita, além de exigir que esses dispositivos sejam projetados para serem pouco brilhantes e invisíveis a olho nu em locais de baixa poluição luminosa.

Conforme reportagem da CNN Brasil, o astrônomo Oliver Hainaut, do Observatório Europeu Austral (ESO) e um dos autores do levantamento, explica a dimensão do problema. "Os satélites, ao serem iluminados pelo Sol, são consideravelmente mais luminosos do que galáxias distantes. Quando um satélite cruza nosso campo de visão, ele deixa um rastro intenso em nossas imagens, ofuscando tudo o que está por trás", detalha. A luz desses equipamentos pode aparecer no céu de forma semelhante à visibilidade de Vênus a olho nu, mesmo quando não apontam diretamente para o observador.

Publicada na revista Astronomy & Astrophysics, a pesquisa é pioneira ao simular as posições, movimentos e luminosidade de todas as constelações de satélites existentes e as que estão em fase de planejamento. As simulações revelaram que, mesmo dispositivos considerados fracos demais para serem vistos sem auxílio, poderiam, se fossem apenas um pouco mais brilhantes, afetar a captação de imagens por câmeras de observatórios, que são especializadas na visualização do espaço profundo. O estudo aponta que, se os planos de empresas como a Reflect Orbital, que prevê a instalação de mais 50 mil satélites, forem concretizados, o céu noturno poderia se tornar até quatro vezes mais luminoso do que é hoje, criando um desafio sem precedentes para a pesquisa astronômica e a contemplação do universo.