As exportações de mel brasileiro para os Estados Unidos enfrentam uma nova ameaça de sobretaxas, propostas pelo ex-presidente Donald Trump, o que mobilizou a empresária Joelma Lambertucci de Brito para uma audiência crucial em Washington, agendada para o dia 6 de julho. À frente da Lambertucci Trade Solution, Brito irá pleitear a isenção do produto nacional, após constatar que integrantes do governo americano desconheciam a profunda dependência dos EUA em relação ao mel brasileiro.
Com 35 anos de expertise no mercado de mel e própolis, Joelma Lambertucci de Brito tem atuado intensamente em ações de lobby nos EUA. Em reuniões anteriores com o Departamento de Agricultura (USDA) e o Escritório de Comércio dos EUA (USTR), a empresária percebeu que a inclusão do mel nas tarifas se deu por uma subestimação da importância do produto brasileiro. “Consumo todo dia e não sabia que era do Brasil”, teria ouvido Brito de um oficial americano, conforme reportagem do G1 Agro, evidenciando a falta de percepção sobre a relevância do insumo.
Os números, contudo, revelam uma realidade diferente: o Brasil é o principal fornecedor de mel para os EUA. Cerca de 83% de todo o mel orgânico importado pelos americanos tem origem brasileira. No segmento convencional, essa fatia chega a 75% das importações. Para a empresária, essa disparidade entre a dominância no mercado e o desconhecimento por parte das autoridades americanas reside na falha do setor e do governo brasileiro em propagar adequadamente a importância do produto nacional.
A audiência pública em Washington será um momento decisivo, onde Brito, ao lado de importadores americanos de mel e da Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel), apresentará argumentos para reverter a medida. A indústria brasileira busca evitar um cenário de prejuízos já vivenciado em anos anteriores. Em 2025, o setor foi sobretaxado em 50%, resultando no cancelamento de milhares de toneladas em vendas e impactando diretamente 40 mil famílias de apicultores, especialmente no Piauí, estado que, em 2024, destinou 85% de suas exportações de mel aos EUA.
A mobilização atual visa não apenas demonstrar o volume das importações americanas de mel do Brasil, mas também enfatizar os graves impactos sociais e econômicos que novas tarifas trariam para milhares de produtores brasileiros. A expectativa é que a defesa robusta consiga garantir a isenção, protegendo um setor vital para a economia agrícola nacional e a subsistência de inúmeras famílias.



